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Atendimento aos deficientes em debate

Folha do Norte inicia hoje uma série de reportagens especiais sobre os serviços oferecidos às crianças e aos adolescentes com deficiência.

 

Para apresentar o diagnóstico dos serviços oferecidos no Estado às crianças e aos adolescentes com deficiência, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) vai realizar 17 encontros, em todas as suas circunscrições, para, junto com governo estadual e sociedade civil, encontrar soluções para atender melhor esse público. O primeiro encontro ocorreu na semana passada em Florianópolis, e teve a participação de técnicos das áreas da Saúde, Educação, Assistência Social e do Ministério Público. São Bento do Sul também está na rota dos encontros e deve receber o debate no dia 24 de setembro.

 

Até lá o Folha do Norte faz uma série de reportagens especiais sobre o tema entrevistando representantes de entidades governamentais e não governamentais e aponta o que vem sendo feito no âmbito do município como um todo em prol da acessibilidade nos seus mais diferentes aspectos. E a primeira entrevistada é Marileia Gonçalves, conselheira e ex-presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (COMDE) e professora e coordenadora pedagógica da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de São Bento do Sul desde 2000.

 

Marileia acredita que o debate servirá para ajustar os encaminhamentos das políticas públicas em prol da acessibilidade, por isso o envolvimento das secretarias de Saúde, Educação, COMDE, Conselhos da Criança e Tutelar, Ministério Público e Fundação Catarinense de Educação Especial (que mantém os convênios com as APAEs do Estado) participam das discussões. “Unir as entidades fortifica a discussão de questões como a violação de direitos e a informação sobre direitos que as pessoas ainda muitas vezes desconhecem. Mais do que acompanhar e fiscalizar é preciso também informar”, diz Marileia. “A questão da acessibilidade não se restringe apenas a obras também, mas a conscientização das pessoas sobre o tema”, completa.

 

Só 20 conselhos no Estado

 

A conselheira atenta ao fato de Santa Catarina possuir Conselhos de Pessoa com Deficiência em somente 20 municípios – de um total de 293. “Temos um avanço muito grande enquanto município, mas em contrapartida de um retrocesso muito grande quanto a estado”, frisa. Em atividade desde 2003, o COMDE foi criado somente três ano após a instauração do Conselho Estadual de Deficientes. Ainda com relação ao Conselho Municipal, Marileia lembra a lei aprovada no mês passado na Câmara de Vereadores e que torna a entidade mais paritária em sua composição – com oito representantes de entidades governamentais e outros oito não governamentais. “A intenção é realizar durante um fórum que acontece no próximo mês a escolha das pessoas nas vagas destinadas a parte não governamental, mas que estejam mais diretamente envolvidas com os deficientes”, destaca a conselheira. Ela frisa a necessidade do conselho dar voz a profissionais que tratem diretamente com pessoas com algum tipo de deficiência como os auditivos, e também que atuem com reabilitação.  “Também a composição da mesa diretora do COMDE tem alternância bianualmente entre seus presidentes, revesando0se representantes governamentais e não governamentais nesse período”, lembra.

 

Comunicação alternativa ajuda alunos da APAE

 

Com atuação de 14 anos na APAE, Marileia comenta sobre a busca constante de melhoria na acessibilidade para os alunos da escola. Um dos exemplos em prática é o software de comunicação alternativa utilizado por cerca de 60 dos 140 alunos matriculados na unidade. “Os softwares adaptados seja tanto para os deficientes mentais, como os deficientes auditivos ou visuais são uma ferramenta que além de auxiliar o trabalho dos educadores, nos permite trazer resultados sobre sua eficácia”, diz. “Aqui na APAE instalamos um software como piloto. No começo o programa era usado no Canadá para pessoas que sofreram AVC , mas foi adequado e hoje atende aqui os alunos com algum tipo de paralisia”, conta a professora.

 

“Cada vez mais percebemos a longevidade das pessoas com deficiência e necessitamos buscar estas ferramentas que facilitem o dia a dia delas. No caso desse software de comunicação, pudemos ver, por exemplo, a evolução de uma aluna nossa que não gostava de chá e preferia café. Sem o software seria muito mais difícil identificar essa preferência dela já que ela sofre de paralisia cerebral” exemplifica. “Além disso, a melhora na qualidade de vida de quem tem algum tipo de deficiência está diretamente ligada a outra série de fatores como a saúde, medicação, alimentação e atividade física” comenta Marileia.

 

Além disso, ela cita o fato de que cada vez mais cedo os pais estão procurando auxílio especializado para crianças com algum tipo de deficiência. “Já tivemos situações onde os pais trouxeram um nenê de seis dias com síndrome de Down buscando a APAE”. Atualmente a instituição atende alunos entre 0 e 70 anos de idade que apresentam deficiência mental, síndrome de Down, paralisia cerebral, microcefalia, distrofia muscular, síndrome de Askorg, síndrome de Smith, síndrome de Dandy Walker, erros inatos do metabolismo, entre outras, atendidos por uma equipe de mais de 40 profissionais nas áreas de pedagogia, psicologia, fisioterapia, equoterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, assistência social, médica, setor administrativo e equipe de apoio como atendentes, auxiliares, cozinheiras e motoristas.


Fonte: Jornal Folha do Norte, nº 1723, 15 a 17 de agosto de 2014.