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Uma luta diária por mais acessibilidade

Representantes afirmam que bastante coisa melhorou, mas ainda falta muito

As discussões acerca dos direitos das pessoas com deficiência aumentaram bastante nos últimos anos. Entretanto, atitudes conscientes são poucas. Para o debate deste tema em todo o mundo, foi definido o dia 3 de dezembro como o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Na visão do orientador da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de São Bento do Sul, José Augustim, as pessoas e instituições ainda tem muito o que aprender a respeito do assunto.
Apesar dos constantes obstáculos, muitos avanços ocorreram nos últimos anos. “Em algumas ruas e trechos com construções mais novas, podemos perceber calçadas adaptadas e com rampas”, ressalta Augustim, fazendo ponderações. “Muitos cadeirantes residem em ruas que não são asfaltadas. Isso dificulta muito a locomoção. E não apenas para cadeirantes. Pessoas mais velhas – e até gestantes e mães com bebês – tem vários obstáculos, como postes no meio de calçadas e placas”, aponta.
A presidente da APAE na cidade, Harriet Hackbarth, faz a mesma constatação. “Se você prestar atenção, vai ver que muitas mulheres que andam de salto já sentem uma enorme dificuldade para se locomover, isso porque as calçadas são péssimas. É assim no Brasil inteiro. Qualquer pessoa que apresenta alguma deficiência ou algum problema para se locomover está sujeita a tropeçar e cair”, lamenta.

Deficiência Intelectual
Segundo José Augustim, somente adaptações físicas não resolvem o problema. “Acessibilidade é uma questão muito ampla, não se resume em uma rampa, em uma calçada adaptada ou um elevador. Ela é para todas as pessoas que necessitam de um tipo de acessibilidade”, explica o orientador, que já presta seus serviços à APAE há 26 anos.
Muitas pessoas pensam somente em um cadeirante quando o tema abordado é acessibilidade. O que é uma visão equivocada, segundo José Augustim. “A acessibilidade deve existir em todos os sentidos”, argumenta, citando as pessoas com deficiência intelectual, que representam a maioria dos alunos da APAE são-bentense. “Muitas pessoas com deficiência intelectual sente uma grande dificuldade para chegar em um comércio e se expressar adequadamente. Esse tipo de acessibilidade também existe e deve ser amplamente trabalhado. Muitos estabelecimentos têm rampas, mas não dispõem de um profissional capacitado para atender uma pessoa com deficiência intelectual”, explica.

Muitos alunos da APAE estão trabalhando
A professora Rosangela Vitali trabalha há 23 anos na instituição e sabe bem das dificuldades que seus alunos e familiares tendem a enfrentar. No entanto, ela reconhece que o Brasil caminha, nem que seja a curtos passos, em direção a um país cada vez mais acessível. “Muitos de nossos alunos já estão trabalhando. Isso era uma coisa que não acontecia há alguns anos”, relata.
Hoje, eles também conseguem fazer as atividades sozinhos. “Muitos alunos são independentes, vêm para a escola e vão para casa sozinhos. Eles estão cada vez mais independentes, e isso [e resultado de muito trabalho e discussão acerca da acessibilidade”, avalia. “Porém, creio que ainda temos muito que evoluir”, opina.

Construção de calçadas
José Augustim afirma que as calçadas devem ser construídas com rampas, sem degraus, com pequenos declives e nas medidas corretas. Segundo ele, isso nem sempre acontece. “Trata-se de uma obrigação dos proprietários de residências e empresas. O que a prefeitura tem que fazer é se organizar para que as pessoas construam essas calçadas de acordo com o que diz a lei”, declara. “E não é um problema local, isso acontece em todo o Brasil”, completa.

No Brasil
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mais de milhões de pessoas apresentam algum tipo de deficiência, o que corresponde a 23,91% da população brasileira.


Fonte: Jornal A Gazeta, 3 de dezembro de 2015